PLANO TRIENAL 2009-2011

 

1.   Apresentação

O Centro Feminista 8 de Março – CF8 é uma instituição feminista que atua articulada com a Marcha Mundial das Mulheres e tem como missão Contribuir para construção do feminismo, a partir do fortalecimento dos grupos de mulheres e de sua auto-organização, inclusive no interior dos movimentos sociais, como forma de impulsionar as transformações necessárias para a construção de uma sociedade mais igualitária para homens e mulheres”.

De acordo com sua missão, desenvolve um trabalho de assessoria a grupos de mulheres rurais e urbanos, jovens, Comissões de Mulheres dos Sindicatos de Trabalhadoras e Trabalhadores Rurais da Região Oeste e a entidades de assistência técnica.

A partir de uma avaliação institucional realizada em 2000, o CF8 vem desenvolvendo suas ações orientadas por planejamento trienal. Tomando como referência o 2006-2008, que representa um avanço na nossa prática, construímos o Trienal 2009-2011, com um sentimento de continuidade, amadurecimento e ampliação do nosso trabalho.

Para a sua construção, realizamos xx oficinas e reuniões, nas quais, fizemos avaliação do trienal anterior (contexto de execução, tendências da conjuntura, linhas, ações), identificação dos desafios, construção de perspectivas, objetivos, planejamento, visualizando o CF8 que queremos ter ao final de 2011. Foram momentos com a equipe técnica, diretoria e quadro de sócias da entidade.

O Trienal 2009-2011 foi construído entre Novembro de 2008 e xx de 2009 e apresenta como objetivo geral “Fortalecer o feminismo popular e militante e consolidar alianças com organizações e movimentos sociais anti-capitalista em busca de uma sociedade de igualdade”.

O presente documento está estruturado em cinco linhas de atuação, sendo elas: 1) Formação e elaboração feminista; 2) Movimento e articulação; 3) Assessoria à organização de mulheres; 4) Economia e feminismo e 5) Gestão estratégica, administrativa e financeira, sendo que cada linha contém objetivos específicos, indicadores de resultado, fontes de verificação e atividades a serem realizadas.

 

2.   Avaliação do contexto do plano 2006-2008

 

Trabalhamos o trienal 2006-2008 com três questões contextuais de difícil previsão do seu desfecho: Forças alternativas globais contra a hegemonia neoliberal; unificação das lutas anti-capitalistas; crescimento da Marcha Mundial das Mulheres para além da Região Oeste. 

            Durante esse período em nível internacional esteve e segue em curso à construção de alternativas para integração a partir dos povos, no enfrentamento a ofensiva neoliberal imposta e em andamento em todo o mundo.

Verificamos que ocorreram vitórias importantes de governos progressistas na região como na Venezuela e Brasil que renovaram seus mandatos e a Bolívia e Paraguai que tiveram eleições vitoriosas mais recente.

Porém o capitalismo em sua fase imperialista globalizada, sobre o controle do capital financeiro seguiu atuando para manter a hegemonia. Seus planos de dominação do continente continuaram em curso as tentativas de controlar cada vez mais as riquezas naturais, a energia, o mercado da América Latina.

O governo brasileiro desenvolveu um conjunto de políticas sociais importantes garantindo o mínimo para sobrevivência, como bolsa família, porém permaneceu com uma política econômica que beneficiou o capital financeiro e especulativa.  Do ponto de vista de temas relacionados aos movimentos sociais, a posição do governo enfraqueceu a luta do setor de combate os transgênicos e o agronegócio.

            Em nível nacional e internacional na relação a unificação das lutas, nos aproximamos da Via Campesina, porém em nível local tivemos problemas e limitações em construir agenda comum.

Assumimos a Secretaria da Marcha no Brasil, o que demandou muitas tarefas nacionais e internacionais.

A Marcha Mundial das Mulheres cresceu significativamente na Região Oeste e o potencial mobilizador das mulheres possibilitou a ampliação do acesso às políticas públicas destinadas as trabalhadoras rurais em articulação com as políticas sociais.

As ações desenvolvidas com a juventude contribuiu politicamente com a Marcha Mundial das Mulheres, através da batucada feminista da Região Oeste que motivou a organização de outras batucadas no Nordeste. Desenvolveu-se também a estratégia de organização do Cine bairro e Cine Roça, que fortaleceu sobre mercatilização através da indústria cultural e da beleza.

Olhando para o trabalho do CF8 junto aos grupos de mulheres e comissões de mulheres do STR tivemos muitos avanços, especialmente em relação a organização produtiva dos grupos.  Este processo de protagonismo das mulheres é percebido também na mudança de hábito alimentar, manejo dos recursos naturais, resgate cultural dos valores, a exemplo da produção nos quintais e projetos produtivos de apicultura, hortaliças, caprinocultura, artesanato em uma perspectiva agroecologica. Também foi potencializado a partir das mulheres a Rede Xique Xique de comercialização solidária e as feiras locais, estaduais, regionais e nacionais.

Do ponto de vista institucional ampliamos nossa capacidade de trabalho inclusive no tocante a gestão administrativa na execução de convênios com setor público.

Avançamos na sistematização de experiências desenvolvidas pelo cf8 sobre o trabalhamos na organização, formação, mobilização, produção e comercialização.

Neste trienal publicamos o nº 08 dos “Cadernos 8 de Março” - Práticas feministas na Região Oeste“, apresentando reflexão sobre os temas que trabalhamos no cotidiano da luta feminista.

Tivemos pouca presença na mídia nos últimos anos. Isso foi um desafio de garantir visibilidade das ações do CF8 na mídia local. Nosso limite se deu por não dispor de uma assessoria de imprensa que estabelecesse uma relação direta e sistemática com mídia.

 

Desafios:

             Ampliar as experiências da juventude para outros setores como as jovens da Universidade e também manter um trabalho sistematicamente, pois a juventude tem sido bastante impactada pelo ofensiva neoliberal

Com o avanço da organização produtiva o desafio é relacionar a produção/comercialização como conquista de processo de mobilização e do movimento. Para isso necessita potencializar o debate sobre a divisão sexual do trabalho e construir alternativas de socialização.

 

 

Contexto conjuntural para execução do triênio 2009-2011

 

Crise de modelo e fortalecimento das alternativas sustentáveis

A prenuncia da incapacidade e da insustentabilidade do atual modelo há tempos vem sendo debatido e anunciado de forma explícita pelo conjunto dos movimentos sociais do mundo. Essa somatória de crises que ganha destaque na mídia internacional e aterroriza bolsas, mercados e economias como se fossem pessoas reais, na verdade é parte indissociável de um modelo que sobrevive de incertezas e risco para gerar mais acumulação e especulação, resultando em mais desigualdade, miséria, conflitos e guerra.

A América Latina, a partir da ação dos movimentos e de mudanças na geopolítica com governos progressistas tem reagido de forma diferenciada das demais crises vivenciadas. Temos visto reações mais autônomas por parte de alguns países. É possível afirmar que a América Latina vem apresentando alternativas concretas e sustentáveis a esse modelo. Algumas dessas construídas por governos e movimentos sociais com bastante avanço na sua idealização e implantação. É verdade que a ausência de unidade que caminhe para uma proposta que responda as demandas de todos os movimentos será um limite. Será um desafio acumular forças necessárias em torno de um único projeto de alternativa regional para a América Latina e Caribe.

Portanto, nos próximos períodos viveremos fortes articulações dos movimentos sociais aliado a governos progressistas, na tentativa de implantação de um novo modelo de integração para a América Latina. Isso se dará se os movimentos e governos tiverem a capacidade de criar alianças estratégicas para potencializar o momento dessa crise estrutural do capitalismo.

Pela importância econômica e política, o Brasil tem uma participação determinante na construção dessas alternativas, tanto por parte governamental como por parte dos movimentos sociais.

Há uma possibilidade dos países da América Latina, principalmente os de governos progressistas, implementarem um processo de fortalecimento da economia e da moeda na região, promovendo um processo de desdolarização da América Latina, como já fazem Brasil e Argentina.

Os movimentos sociais brasileiros continuarão construindo alternativas contra o capitalismo e pela integração dos povos na América Latina. Mas um outro setor dos movimentos disputará espaços para se garantir como o porta-voz dos movimentos brasileiros.

Em relação a projetos de integração latina, não existe por parte dos movimentos brasileiros unidade em um único projeto, principalmente a CUT que considera viável as várias alternativas em curso.

No Brasil, até 2010, permanecerá a manutenção de um governo de coalizão, com a possibilidade de alteração a partir de 2011. Com as eleições presidenciais em 2010 estará evidente e em disputa dois projetos: um progressista que será apoiado por muitos setores dos movimentos e outro conservador e de direita que tentará dar respostas à crise - no Brasil - a partir de privatizações e de maior abertura para o capital e empresas transnacionais. Este projeto de direita também será apoiado pelo grande capital internacional e pela mídia brasileira.

O fato de Mossoró se encontrar entre as cidades brasileiras mais procuradas pela especulação imobiliária, nossa cidade continuará recebendo grandes empresas transnacionais, o que desestabilizará a economia local.

Com a integração da região a mercados globalizados isso a torna mais vulnerável e fértil para a exploração capitalista o que também se estabelece um canal direto com as conseqüências das crises globais desse modelo de exploração.

A especulação imobiliária tornou-se o melhor investimento neste momento, a construção de grandes condomínios de alto luxo atesta isso. A implantação das maiores redes de supermercados e grandes empresas caracteriza, desde já, os efeitos da crise, onde será cada vez mais necessário a exploração do trabalho em condições sob humanas com intensas jornadas de trabalho e trabalho precário.

Os impactos desse desenvolvimento acelerado baseado no lucro e na especulação trará conseqüências, neste momento, incalculáveis, considerando que Mossoró não dispões de estruturas de transporte urbano, de abastecimento de água e energia que responda a toda essa demanda imediata, e nem a longo prazo.

Isso significa que os movimentos terão a necessidade de realizar ações articuladas e planejadas no enfrentamento para a transformação do mundo incluindo nossa região.

 

 

Fortalecimento do feminismo da Marcha Mundial das Mulheres

A Marcha Mundial das Mulheres tem se construído afirmando a necessidade de mudar o mundo e mudar a vida das mulheres. Isso significa a construção de um projeto de sociedade que tenha uma perspectiva feminista, onde considere as mulheres como parte desse processo.

Desde 2007 a Marcha do Brasil está com a responsabilidade de secretariar a marcha em nível internacional. Durante os dois anos ainda permanece o desafio de fortalecimento da executiva nacional para que possa ter uma maior contribuição no processo de coordenação internacional

No que se refere as alianças. A MMM seguirá fortalecendo a aliança com a Via Campesina em nível internacional, como também no Brasil. No entanto, em nível local teremos mais dificuldades de consolidação de uma agenda comum.

Esse será um momento também de reafirmação da Marcha Mundial das Mulheres como um movimento feminista internacional, que constrói alianças globais e locais com proposta de transformação integral da sociedade, configurando-se como um movimento irreversível nesse processo de luta global. Especialmente o ano de 2010 representará para a Marcha uma oportunidade de crescimento e fortalecimento no Brasil e no mundo. Isso será possível, principalmente a partir das mobilizações em torno das ações internacionais em 2010 da Marcha Mundial. Isso também favorecerá um grande crescimento da Batucada Feminista e consequentemente a ofensiva contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres, sobretudo no Nordeste.

Na Região Oeste a Marcha continuará sendo a referência de feminismo para mulheres e jovens trabalhadoras rurais e de bairros populares. Além disso, a Marcha terá possibilidade enraizar-se em outros setores, como a universidade, principalmente a partir da ação da batucada feminista.

 

Ampliação do trabalho sistemático do CF8 para a região Nordeste

Em relação ao trabalho do CF8, teremos uma forte ampliação na região Nordeste buscando ampliar nossa experiência em articulação e organizar das mulheres para acesso a políticas públicas. Isso significará um crescimento da equipe e trará desafios de gestão para relação com setor público, formação, necessário essa nova etapa que o CF8 viverá.

O trabalho de apoio à organização das mulheres na região Oeste e nossa experiência em prestação de serviço a programas governamentais nos credenciaram para formalização de convenio junto ao MDA para apoiar as mulheres no acesso às políticas sociais no âmbito dos territórios da cidadania do NE. Esse convênio atingirá oito estados do Nordeste  e trará um impacto positivo para as ações do CF8. Tanto no que se refere a  ao reconhecimento do trabalho como no fortalecimento da Marcha Mundial das Mulheres.

 

 

3.   Objetivo geral e específicos

 

·       Objetivo Geral

Fortalecer o feminismo popular e militante e consolidar alianças com organizações e movimentos sociais anti-capitalista em busca de uma sociedade de igualdade.

 

·       Objetivos Específicos:

o   Implementar um plano de formação feminista com consciência étnica e de classe

o   Construir um processo de sistematização da experiência de assessoria, mobilização e articulação desenvolvidas pelo CF8 junto aos grupos de mulheres, tendo como referencia a construção da MMM

o   Fortalecer a capacidade de análise do CF8

o   Tornar a comunicação um instrumento de divulgação e publicação dos processos desenvolvidos pelo Cf8 e MMM

o   Seguir fortalecendo o processo de articulação com as sócias

o   Fortalecer a capacidade institucional do Cf8 a partir da reestruturação da sede e melhoramento dos instrumentos de gestão e controle

o   Consolidar o processo da Marcha Mundial das Mulheres

o   Fortalecer os movimentos sociais como forma de consolidar uma agenda unificada entre MMM e os demais movimentos sociais

o   Fortalecer a ofensiva feminista contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres através da Batucada Feminista

o   Contribuir para a consolidação da auto-organização das mulheres entrelaçando temáticas de organização, produção, mobilização e formação (grupos, CMSTTR, Coord. Oeste)

o   Estabelecer relação com as comunidades onde trabalhamos, através da sensibilização do público infanto-juvenil com temáticas trabalhadas pelo Cf8

o   Assessorar os processos de economia solidária e de agroecologia em uma perspectiva feminista através da Rede Xique Xique e do fortalecimento da REF no NE

o   Assessorar e acompanhar as mulheres no processo de mobilização e acesso as políticas publicas em nível de Nordeste nos Territórios da Cidadania


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