Mossoró/RN - Brasil - 30.07.2010  

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  • Marcha Mundial das Mulheres

A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista internacional de luta contra a pobreza e a violência sexista. Sua primeira ação foi uma campanha entre 8 de março e 17 de outubro de 2000. Somente nesse ano aderiram à Marcha cerca de 6.000 grupos de 159 países e territórios. As manifestações de encerramento desta primeira fase da Marcha aconteceu no 17 de outubro de 2000 mobilizando milhares de mulheres em todo o mundo.

Após o 17 de outubro de 2000, havia entre muitas participantes a avaliação de que a MMM deveria continuar como uma ação permanente em função do impacto que teve no movimento de mulheres e do fato de ter possibilitado uma forte rearticulação em vários países. Essa avaliação não era apenas da América Latina, mas também da Coordenação Européia e de vários países africanos e asiáticos.

A Marcha Mundial das Mulheres se constituiu como uma das mais importantes articulações do movimento feminista nos últimos anos. Um aspecto central para essa análise é o fato de ter possibilitado uma recomposição do movimento de mulheres a partir de uma mudança de agenda. Seu método de ação, que busca articular desde as mulheres de base, num amplo processo de mobilização e educação popular, também foi fundamental. Desde o início, colocava uma crítica global ao capitalismo e ao neoliberalismo. Para a MMM as mulheres são sujeitos ativos na luta para mudar radicalmente esse modelo que também é patriarcal, racista, homofóbico e depredador do meio ambiente.

No Brasil e na América Latina a MMM se tornou uma alternativa ao processo de institucionalização e de perda de radicalidade, retomando a idéia da auto-organização das mulheres, da mobilização e da luta feminista vinculada à luta anticapitalista. Recolocou, portanto, a questão de gênero e classe como co-extensivas e a necessidade de transformação global do modelo, sem abandonar outras questões como raça - etnia, juventude etc.

Com a MMM vimos a retomada da mobilização nas ruas, a organização ampla das mulheres desde a base, articulando do nível local ao internacional, a construção e o reforço das alianças com vários movimentos sociais. Houve um crescimento da legitimidade perante outros movimentos mistos, a partir da participação no plebiscito da

dívida externa e posteriormente na campanha contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). A participação no Fórum Social Mundial (processo em que a MMM participa desde os primeiros acordos na reunião de Genebra em 2000) possibilitou ampliar a visibilidade e articulação da MMM, além de expressar o seu envolvimento e compromisso com o movimento antiglobalização. Essa participação permitiu ampliar, intensifi car debates antes muito restritos, como, por exemplo, sobre a mercantilização do corpo e da vida das mulheres.

Outro saldo muito positivo da constituição da MMM como um movimento permanente foi o crescimento da unidade entre mulheres urbanas e rurais. Isso pode ser verificado não apenas pelo fato de que ambos setores estão em uma mesma agenda, mas também pelo crescimento do apoio e participação das urbanas na Marcha das Margaridas e pelo crescimento de ações conjuntas entre rurais e urbanas. E isso está se dando também em relação outros setores como, por exemplo, com as mulheres do MST tanto nas comemorações do 8 de março, mas também em ações conjuntas na luta contra o livre comércio, as transnacionais e os transgênicos, e por soberania alimentar.

Aqui no Brasil a Marcha está organizada em 17 estados. Seu funcionamento está baseado na organização de Comitês Estaduais. A Marcha tem uma ampla composição social de mulheres urbanas e rurais, jovens, negras, participantes de movimentos populares e sindicais e também de grupos autônomos de mulheres.

A MMM é uma grande possibilidade de crescimento e fortalecimento da organização das mulheres. Um movimento construído a partir da solidariedade internacional entre as mulheres traz uma força que nos impulsiona a lutar para transformar radicalmente a vida das mulheres. Aprendemos com as experiências, sonhos e desejos das mulheres que se somam à Marcha.

Uma das fortes características da MMM é sua abertura para aprender com novas experiências. Por exemplo, se um país desenvolve uma forma de atuação, outros passam a fazer semelhante dentro de sua realidade e especificidade. Um exemplo é a Batucada Feminista que iniciou no Brasil e, hoje, outros países utilizam essa linguagem em manifestações, como é o caso do Peru, Filipinas e Québec. A identidade da MMM é constituída por influências mútuas e troca de exemplos.

Nesse trajeto colocamos nossas forças para buscar a igualdade, a liberdade, a solidariedade, a justiça e a paz para as mulheres. Nos juntamos a outros movimentos sociais para resistir à sociedade de mercado, ao poder das transnacionais e também para construir alternativas.

Com o objetivo de fortalecer nossos processos organizativos desenvolve seminários regionais e estaduais; desenvolve atividades de formação que contribui para a  formação das lideranças, mas também para fortalecer nossa identidade coletiva e a vivência de experiências em comum.

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  • RENTE/REF

A Rede Economia e Feminismo (REF) foi criada em novembro de 2001 durante o Seminário Feminismo e Economia, que aconteceu em São Paulo e reuniu 33 mulheres de 13 estados e 22 organizações.

A REF se propõe a articular ativistas de movimentos sociais, técnicas de organizações não governamentais e governamentais e pesquisadoras que desejem atuar com prioridade no tema economia e feminismo.

A REF se prepara para atuar com núcleos nos estados ou por temas para realização de pesquisas, seminários, atividades de formação e produção de conhecimento. Queremos desdobrar nacionalmente estes processos em campanhas e ações públicas próprias e em diálogo com campanhas organizadas pelos movimentos sociais.

Um ponto de partida é nossa auto-formação mediante grupos de estudos, intercâmbios, bibliografias comentadas e a formação de mulheres, lideranças e assessoras de movimentos sociais em feminismo e economia. Iniciamos com um primeiro curso de formação sobre feminismo e economia, realizado em junho de 2002.

Além de desenvolver ações próprias, participamos com uma proposta feminista em espaços de articulação mistos que atuem no debate sobre desenvolvimento e alternativas econômicas.

O conjunto desta intervenção está em diálogo com as ações da REMTE (Rede Latino-americana Mulheres Transformando a Economia) e se propõe a fortalecer as ações da Marcha Mundial das Mulheres no âmbito do combate à pobreza.

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  Galeria Feminista
Encerramento do Encontro de Trabalhadoras Rurais (2002). Passeata da Marcha Contra a Pobreza e Violência Sexista
Passeata da Marcha Mundial das Mulheres (2000)
III Fórum Social Mundial (2003)
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