Mossoró/RN - Brasil - 20.08.2008  

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Através de sua interação com a Marcha Mundial das Mulheres, o Centro Feminista 8 de Março deu início a uma ação global e articulada, em conjunto com mulheres de todos os cantos do planeta que constróem uma luta comum de combate à pobreza e violência sexista. E essa lógica de integração se estende a outros movimentos, como o Fórum Social Mundial, Fórum Social Potiguar e Rede Economia e Feminismo.

  Galeria Feminista
Encerramento do Encontro de Trabalhadoras Rurais (2002). Passeata da Marcha Contra a Pobreza e Violência Sexista
Passeata da Marcha Mundial das Mulheres (2000)
Encerramento do Encontro de Trabalhadoras Rurais (2002). Passeata da Marcha Contra a Pobreza e Violência Sexista

Marcha Mundial das Mulheres

 

No mundo todo, a MMM é das mais constantes e globais manifestações de luta feminista. Sua origem foi no Canadá, em 1995, quando um grupo de operárias marchou em greve por melhores salários e conseguiram o aumento do salário mínimo nacional. Esse movimento foi chamado de Pão e Rosas, pois era o que elas pediam, simbolicamente, em seu discurso de igualdade e paz.

Atualmente, a Marcha acontece em 156 países. Através dela, mulheres do mundo todo reclamam por leis e políticas que ajudem a erradicar a pobreza e a violência sexista do planeta. Além de marchar, as mulheres discutem temas que repercutem em seu cotidiano, buscando estratégias contrárias à política neoliberal do capitalismo. Assim nos expressamos na Campanha contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), em 2002 e, este ano, na reivindicação da valorização do salário mínimo.

A Marcha em Mossoró

A partir de 2000, o Centro Feminista 8 de Março ajudou a construir uma nova iniciativa feminista dentro do movimento internacional: A Marcha Mundial das Mulheres, que acontecia paralelamente em todos os cantos do planeta.

Naquele ano, a Marcha Mundial mobilizou grupos de mulheres de 161 países e territórios de todos os continentes. Foram ações de denúncia, protesto, educação popular, pressão por políticas públicas e construção de alternativas, na tentativa de somar a luta das mulheres contra o capitalismo e as sua piores conseqüências: a pobreza e a violência sexista.

O lema da Marcha não poderia ser mais condizente com o momento histórico: “2000 razões para marchar”, em referência a dois milênios de opressão e desigualdade de um mundo sob o jugo de uma cultura machista e capitalista. Mais de cinco milhões de assinaturas de apoio às reivindicações foram colhidas.

Mossoró estava em sincronia com os outros dezesseis estados brasileiros a realizar a Marcha. Sua proposta foi lançada no Rio Grande do Norte em 8 de março de 2000. No decorrer do ano, uma intensa agenda de debates, oficinas, encontros, fizeram com que a passeata do 17 de outubro tivesse um público recorde em termos estaduais, conseguindo a proeza de reunir mais de mil pessoas no percurso que cruzava as ruas do centro da cidade.

Vieram caravanas de outros municípios e da capital do estado, grupos de mulheres de bairros e assentamentos de Mossoró, jovens, sindicatos,pastorais, representantes do MST e de partidos de esquerda.

O Centro Feminista 8 de Março expôs na caminhada a inquietação que já tomava conta da cidade. As mulheres mostraram que concordavam com a proposta da Marcha, dando voz a um coro de rebeldia e irreverência pelas ruas da cidade.

Desejos para 2020

A Marcha Mundial das Mulheres em 2000 em Mossoró foi um momento plural e único na história do movimento feminista no estado. Na praça Rodolfo Fernandes, um palco exibia grupos de teatro, dança, capoeira, bandeiras, panfletos e muitas, muitas mulheres.

Um monumento em metal, com o símbolo da Marcha Mundial das Mulheres foi fixado no chão da praça. E, ao lado dele, colocada uma urna onde as presentes depositaram pequenas cédulas com os desejos e anseios do feminismo para os próximos 20 anos.

  Galeria Feminista
Passeata da Marcha Mundial das Mulheres (2000)
MMM - Aniversário de 10 anos CF8 - 11 de março de 2003
Encerramento do Encontro de Trabalhadoras Rurais (2002). Passeata da Marcha Contra a Pobreza e Violência Sexista

A Marcha nos Fóruns (FSM e FSP)

 

A Marcha Mundial das Mulheres esteve no Fórum Social Mundial desde a primeira edição, principalmente pela sintonia nas estratégias de construção de alternativas de superação da globalização neoliberal.

Como integrante do movimento antiglobalização, a Marcha Mundial das Mulheres reconhece o desafio de reforçar a presença das mulheres em uma perspectiva de luta internacional.

As organizações de mulheres lutando contra o machismo e a opressão representam o sujeito político que traz à tona as experiências e a fala das mulheres, questionando a divisão sexual do trabalho, o controle da mercantilização do corpo das mulheres e a cultura de dominação como bases do sistema capitalista lutamos para superar.

A presença das mulheres nesse processo de internacionalização desencadeado pelo FSM, passando pelos demais fóruns temáticos e regionais - e estaduais, como o Fórum Social Potiguar, que se prepara para sua 2ª edição - é um elemento para quebrar hierarquias.

Mas, a Marcha Mundial das Mulheres quer mais. Luta pela incorporação do feminismo nas práticas, nas análises e nos projetos que vêm sendo construídos dia a dia em conjunto com o movimento antiglobalização.

 

REF - Rede Economia e Feminismo

 

A Rede Economia e Feminismo é uma articulação nacional de um conjunto de ativistas dos movimentos sociais, técnicas de organizações não-governamentais e governamentais e pesquisadoras, existente desde novembro de 2001. Atuando em diálogo com a REMTE (Rede Latino Americana Mulheres Transformando a Economia), tem como propósito difundir a teoria econômica feminista como ferramenta de análise da situação das mulheres na realidade brasileira e fortalecer a Marcha Mundial das Mulheres, no âmbito do combate à pobreza.

A REF se estrutura em seis temáticas prioritárias: Teoria Econômica Feminista, Mulher e Trabalho, Distribuição de Renda e Salário Mínimo, a Área de Livre Comércio das Américas e Soberania Alimentar.

No Nordeste, a REF pretende articular experiências desenvolvidas em economia solidária que tem as mulheres como protagonistas, para, a partir da concretização desta meta, se estender sobre os demais princípios norteadores da Rede.

 
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