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No mundo todo, a MMM é das mais constantes e globais manifestações de luta feminista. Sua origem foi no Canadá, em 1995, quando um grupo de operárias marchou em greve por melhores salários e conseguiram o aumento do salário mínimo nacional. Esse movimento foi chamado de Pão e Rosas, pois era o que elas pediam, simbolicamente, em seu discurso de igualdade e paz.
Atualmente, a Marcha acontece em 156 países. Através dela, mulheres do mundo todo reclamam por leis e políticas que ajudem a erradicar a pobreza e a violência sexista do planeta. Além de marchar, as mulheres discutem temas que repercutem em seu cotidiano, buscando estratégias contrárias à política neoliberal do capitalismo. Assim nos expressamos na Campanha contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), em 2002 e, este ano, na reivindicação da valorização do salário mínimo.
A Marcha em Mossoró
A partir de 2000, o Centro Feminista 8 de Março ajudou a construir uma nova iniciativa feminista dentro do movimento internacional: A Marcha Mundial das Mulheres, que acontecia paralelamente em todos os cantos do planeta.
Naquele ano, a Marcha Mundial mobilizou grupos de mulheres de 161 países e territórios de todos os continentes. Foram ações de denúncia, protesto, educação popular, pressão por políticas públicas e construção de alternativas, na tentativa de somar a luta das mulheres contra o capitalismo e as sua piores conseqüências: a pobreza e a violência sexista.
O lema da Marcha não poderia ser mais condizente com o momento histórico: “2000 razões para marchar”, em referência a dois milênios de opressão e desigualdade de um mundo sob o jugo de uma cultura machista e capitalista. Mais de cinco milhões de assinaturas de apoio às reivindicações foram colhidas.
Mossoró estava em sincronia com os outros dezesseis estados brasileiros a realizar a Marcha. Sua proposta foi lançada no Rio Grande do Norte em 8 de março de 2000. No decorrer do ano, uma intensa agenda de debates, oficinas, encontros, fizeram com que a passeata do 17 de outubro tivesse um público recorde em termos estaduais, conseguindo a proeza de reunir mais de mil pessoas no percurso que cruzava as ruas do centro da cidade.
Vieram caravanas de outros municípios e da capital do estado, grupos de mulheres de bairros e assentamentos de Mossoró, jovens, sindicatos,pastorais, representantes do MST e de partidos de esquerda.
O Centro Feminista 8 de Março expôs na caminhada a inquietação que já tomava conta da cidade. As mulheres mostraram que concordavam com a proposta da Marcha, dando voz a um coro de rebeldia e irreverência pelas ruas da cidade.
Desejos para 2020
A Marcha Mundial das Mulheres em 2000 em Mossoró foi um momento plural e único na história do movimento feminista no estado. Na praça Rodolfo Fernandes, um palco exibia grupos de teatro, dança, capoeira, bandeiras, panfletos e muitas, muitas mulheres.
Um monumento em metal, com o símbolo da Marcha Mundial das Mulheres foi fixado no chão da praça. E, ao lado dele, colocada uma urna onde as presentes depositaram pequenas cédulas com os desejos e anseios do feminismo para os próximos 20 anos.
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